Produções colaborativas na rede

Na mesma medida em que as redes sociais e de relacionamento de altíssima densidade – como Orkut, Facebook, Twitter, My Space, entre outras – propiciaram a abertura para encontros e conversações por meio de suas comunidades, além dos blogs pessoais, vimos que esse meio de comunicação teve importante função educativa para os jovens. Ainda que a grande maioria use as redes apenas para se expor e encontrar amigos, são muitos os que já sabem usá-las também para explorar interesses comuns e encontrar informações que vão além do que a escola ou a comunidade local da qual faz parte pode oferecer.

Em relação ao nosso foco em conceitos relacionados a programas de inclusão digital, sobretudo em razão da experiência com projetos de capacitação dos jovens para o uso das novas ferramentas, vimos
também convergir nossos estudos para a função das redes como novas mídias, em que quem produz e publica conteúdo faz parte dos que atualmente se denominam novos comunicadores sociais ou “publicistas”.
A forma colaborativa com associações de perguntas e respostas, a relação entre as comunidades, o modo de seguir links e rastros para explorar melhor aquilo que interessa fazem parte, enfim, das produções coletivas de conhecimento no espaço comum. Essa forma colaborativa de participação, principalmente entre jovens nas redes, significa para nós um importante exercício educativo e participativo relacionado à cidadania, tal como tratamos neste livro.
Não é de espantar, portanto, que a prática cada vez mais disseminada de alimentação dessas redes ganhasse progressivamente tanto qualidade como visibilidade em termos de conteúdos compartilhados confiáveis, capazes de elevar uma multidão de pessoas ao status não só de formadoras de opinião, mas de “formadoras de diretrizes”.3 Com esse status, a multidão conquista papel ainda mais importante: o de causar impactos capazes de influir nos rumos de grandes questões políticas globais, a exemplo das eleições à presidência dos Estados Unidos, em 2008.
Essa produção coletiva é reconhecida tanto pelos meios de comunicação de massa tradicionais quanto pelas agências de publicidade como fonte de referência confiável, constituindo o que muitos chamam de nova mídia, mídias digitais ou mídias sociais.

Guzzi, Adriana Araújo. Web e Participação - A Democracia no Século XXI  , p. 27

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